Taxistas VS Uber – Minha Opinião

Quero deixar bem claro que não tenho nada contra motoristas de táxi e também não tenho nada contra motoristas do Uber.

Acredito que concorrência é saudável e gera melhoras para os profissionais e os consumidores finais.

Loguei no Facebook e me deparei com a notícia “Motoristas obrigam casal a descer de carro do Uber e a entrar em táxi no DF“, onde taxistas cercam um Toyota Corolla e em exatos dois segundos de vídeo um deles acerta um soco no vidro do motorista, ameaçando quem está no interior a descer para não quebrarem o vidro.

Em seguida, um deles que percebe que alguém está filmando e vai fazer o que metade da população que possui uma PotatoCam faz, enviar vídeos para a internet com qualidade duvidosa, tenta remediar o soco no vidro e a ameaça de quebrá-lo dizendo que não irão fazer nada mas também o passageiro não será levado pelo atual motorista.

Logo depois outra ameaça, agora de somente o vidro a ser quebrado o alvo seria o carro. Por várias vezes é dito que o motorista do Uber está fazendo o transporte de passageiros durante uma manifestação.

Para tudo.

Se os taxistas estão fazendo protesto, como o passageiro iria fazer uma corrida com um táxi licenciado?

Eu duvido que no momento do desembarque existiam taxistas suficientes disponíveis nos arredores do aeroporto sendo que os mesmos estavam realizando uma manifestação.

Quem garante que os passageiros não procuraram um táxi, ou até mesmo quem garante que os passageiros não são do exterior e não sabem sobre o que acontece em terras tupiniquins por conta do aplicativo?

São pontos a se levantar, porém não criei este artigo para levantar especulações pois os passageiros também poderiam ter chamado um motorista pelo Uber direto, porque não?

O real ponto que quero levantar é:
O Brasil e os brasileiros não estão preparados e também não querem aceitar mudanças ou adaptações.

É incrível como qualquer coisa que diretamente ou indiretamente vai atingir o bolso de alguém o governo põe a mão.

Como exemplo, veja o valor exorbitante que o Toyota Prius é comercializado (R$114,350).

Os motivos são claros. O proprietário consome menos combustível e de alguma maneira o governo tem que manter o lucro insano em cima de tudo que existe, logo o que o proprietário não gastará em um posto, vai desembolsar na compra, no IPVA, no licenciamento e também no controlar caso o dono seja de São Paulo. Aqui é o único lugar do mundo que você paga N vezes o valor real do carro a vista e continua pagando o mesmo em parcelas por 20 anos (IPVA – SP).

Nisso chega o Uber, onde qualquer motorista habilitado e sem antecedentes criminais, com seu veículo em ótimas condições pode buscar e levar passageiros com níveis de segurança e conforto maiores que um táxi comum a um preço bem melhor.

Como é de conhecimento público, os taxistas realizaram protestos e alertaram os bolsos dos parlamentares juntando as palavras “não”, “pagam” e “impostos” na mesma frase.

E o Uber foi proibido.

Como é impossível proibir algo de funcionar na internet (lembram do caso Cicarelli X Youtube? Nada que um Proxy ou VPN resolvesse em cinco segundos, fora as alternativas de acesso que apareceram em menos de meia hora pós proibição), motoristas continuam utilizando o Uber (e brevemente também o Lyft). Quanto mais se proíbe, mais alternativas aparecem.

A inteligente solução adotada pelos taxistas para este problema foi iniciar perseguições atrás de quem está utilizando o Uber, cercando e ameaçando.

Esta atitude não vai resolver em nada e me admira alguém ainda não ter sido espancado até a morte, em vista que no Brasil pessoas morrem por muito menos.

Relatando minha pequena experiência com taxistas (andei ao todo no máximo cinco vezes em táxis, três delas após o Uber começar a funcionar no Brasil) tenho alguns pontos a levantar.

Moro no Grande ABC e nesta época trabalhava em São Bernardo do Campo, basicamente na divisa com Santo André. Tive um problema com o meu carro e o deixei na concessionária da Peugeot em São Caetano do Sul. Para quem nunca ouviu falar desta região de São Paulo, são três cidades coladas onde atravessar as três pela mesma avenida não leva mais de 30 minutos em horário de pico pelo pior caminho possível, cortando pelos bairros o tempo cai para quase a metade. A rota iniciava em São Bernardo, passava por uma pequena parte de Santo André e terminava em São Caetano, logo minha tarifa subiu como um foguete devido as mudanças de cidade, o que para minha opinião é uma cobrança totalmente desnecessária.

Isto já aconteceu com minha namorada, porém o taxista a orientou a descer do carro na divisa e iniciar uma nova corrida pois até mesmo ele achava esta regra um absurdo.

Outra corrida que vale mencionar foi quando visitei o RJ, que possui uma estrutura de táxis totalmente diferente de São Paulo.

Em São Paulo ou você caminha até um ponto de táxi (que geralmente está vazio), pede pela internet (quando sua operadora permite que sua internet funcione), procura o telefone de um ponto na internet e liga (quando te atendem). Passei por isso nas duas corridas que fiz devido ao meu carro ter tido problemas.

No Rio, ao menos onde eu estava (Tijuca), era somente olhar para a rua que eu via mais táxis do que carros comuns, e como era a minha primeira visita ao RJ acabei por soltar uma pérola e perguntar porque cariocas gostam tanto de carros amarelos e depois perceber que todos eram táxis. Desculpem Cariocas, o Rio é fenomenal!

Fui dirigindo de São Paulo até a Tijuca, mas como nosso amigo que nos hospedou iria nos apresentar o Bar da Cachaça deixei o carro na garagem e partimos de táxi.

As diferenças foram grandes logo nos primeiros segundos que descemos do apartamento, que a primeira coisa que fiz foi tentar baixar o App 99Taxis.

Nosso amigo explicou que se a plaquinha superior estava acesa, seria necessário apenas um sinal com a mão e o taxista parava. Era tarde da noite e tinham táxis passando com no máximo vinte segundos de diferença.
Dentro do veículo, a todo momento o motorista perguntava se o ar condicionado estava em um nível confortável para nós e rir de nossas respostas por conta de nosso sotaque, repetindo frases nas linhas de “sim, o aaaaar está bom”, “peeeerto da póóórta.

Quando descemos do carro e comentei que é o atendimento é bem diferente no Rio, logo fui lembrado que tudo somente ocorreu bem devido ao nosso amigo que mora no Rio estar no banco da frente, caso contrário poderíamos ter dado uma volta bem maior para o valor da corrida ser mais alto, já que não sabíamos absolutamente nada sobre nenhuma rota da cidade.

Não estou dizendo isso para falar mal do Rio, pois isso acontece em qualquer lugar quando percebem que o passageiro é um turista perdido, desonestidade existe em todo lugar e infelizmente taxistas possuem esta fama.

E o que o Uber tem a ver com minhas experiências?

A resposta é simples, padronização.

O serviço de táxi existe em todo o país, mas pelas minhas experiências funciona diferente em regiões até mesmo próximas, se nosso amigo não estivesse conosco poderíamos ter passado por frustrações. E se o táxi que subimos não tivesse máquina de cartões por exemplo? Por aqui muitas vezes os taxistas não possuem, o que acarreta mais uma corrida pois você tem que ir até o banco sacar para depois ir ao seu destino e pagar.

No Rio a primeira coisa que vimos do lado do táxi foi a inscrição “aceitamos débito”. No corre corre paulista onde muitas vezes o táxi demora e você com medo de se atrasar pula dentro do primeiro que para, acaba esquecendo de perguntar se o carro aceita dinheiro de plástico e quando lembra de questionar e a resposta é negativa até o próximo táxi chegar você pode perder seu compromisso.

Já com o Uber este problema não existe sendo que é possível pagar pelo próprio aplicativo.
Não existe maneiras (de meu conhecimento) do motorista desviar a rota e andar a toa para cobrar mais, pois a rota está no celular dele visível a todos dentro do veículo.

A segurança de um veículo do Uber muitas vezes, se não todas as vezes, é muito maior que um táxi de rua. Nunca vi um “Siena Tetrafuel” caindo aos pedaços sendo dirigido por um motorista do Uber, pelo contrário, o carro mais simples que vi foi um C4 Pallas com AirBag, ABS e equipamentos de segurança que muitos táxis do dia a dia não possuem.

Mas e se o motorista do Uber for um louco desequilibrado? E quem garante que um taxista não é?

Me desculpem, mas com as notícias que circulam na mídia atualmente como esta do início do artigo onde ameaçam e batem no vidro de um motorista a imagem dos taxistas não está melhorando.

Não é difícil ver alguns dos motivos que fazem as pessoas chamarem motoristas do Uber e não os táxis licenciados.

  • Preço competitivo.
  • Carros de padrão, conforto e aparência superiores.
  • Sem taxa de troca de município.
  • Facilidade de pagamento, até mesmo se esquecer a carteira você paga. Seu cartão fica salvo e você pode por créditos no seu cadastro.
  • Padronização. Você sabe o que vai acontecer quando apertar o botão de chamar um motorista independente de onde você esteja, e sabe que ele não vai fazer um caminho maior para te passar a perna pois a rota vai estar acesa na sua frente.
  • Água, refrigerantes e até mesmo cerveja. Porque taxistas não fazem o mesmo? No atacado você compra garrafinhas de água a um preço irrisório, não existem desculpas para não oferecer água aos passageiros.

Ao invés de ficarem perseguindo os motoristas, que desculpem mais uma vez mas estão oferecendo um serviço e atendimento muitas das vezes superior, não se adaptam?

Vocês não pagam impostos, licenças e talvez taxas de filiação a sindicatos? Utilize o que vocês tem em mãos e entrem em um acordo que não envolva perseguir motoristas autônomos e ameaçá-los. Assim como vocês, eles possuem contas para pagar e muitas vezes famílias para sustentarem.

Todo ser humano consciente coloca ‘na ponta do lápis’ o que compensa mais, e segue pelo caminho que entrega um melhor custoXbenefício. O Uber só está bombando por esse motivo. Caso os táxis oferecessem um serviço confiável a um preço justo e sem surpresas, enrolações e taxas bestas como troca de municío, eu aposto que ninguém estaria se importando com o Uber.

Porque iriam deixar de utilizar um serviço que seria confiável, conhecido no mercado a anos para utilizar um aplicativo que chama uma pessoa sem licença para tal função para a transportar para algum local?

O dinheiro sim faz as pessoas assumirem o risco, e quando perceberam que funciona e funciona melhor do que o atual, optaram pela nova alternativa.

A tecnologia nunca vai acabar. Uma proibição gera dez novas alternativas.

Por que não utilizar a concorrência para melhorar? Tornar o serviço de táxi atrativo novamente? Utilizar a concorrência para ver o que estão fazendo melhor e superar? Isto é o básico para qualquer negócio dar certo, quem não se atualiza fica para trás.

Mas eu sei o motivo que não permite que estas opiniões se concretizem, e faz a violência mais uma vez ser a única opção.

O Brasil e os brasileiros não estão preparados e também não querem aceitar mudanças ou adaptações.

 

 

 

3 comentários
  1. Responder katia 20 de agosto de 2015 as 20:28

    To aqui pelo netbook eyo

  2. Responder Diego Vieira 21 de outubro de 2015 as 01:04

    é o Planta, boa matéria!!

  3. Responder Rodolfo 1 de agosto de 2016 as 17:56

    Acredito que muitos dos Taxistas doa Brasil devem enxergar as oportunidades de melhorar seu atendimento para se manter competitive, porem a situação que o UBER causa hoje no país é a mesma situação que esta passando uma marca de grief ou um cantor quando lança seu dVD ou CD e todo mundo sai copiando.
    Os UBER não devem ser legalizados jamais, os motoristas de taxi pagam seus impostos e batalharam a vida inteira para manter seu carro em ordem no ponto de taxi, agora vem um monte de gente que quer fazer dinheiro e acaba com toda a condição de um motorist de taxi sustentar sua família. Existe muita coisa a ser levada em consideração e a principal delas é que existem muitos oportunistas envolvidos neste negócio e quem acaba ganhando muito são eles os ricos que estão colocando frotas de carros para trabalhar como UBER e escalando motoristas a laço para preencherem essas vagas. Muito injusto com o motorist de taxi, deve se implanter uma fiscalização para manter o padrão de aytendimento dos motoristas de taxi assim como é feito nos pontos de taxi dos aeroportos, esta seria uma attitude justa de um governo correto e efetivo e não fechar os olhos para essa onda gigante de ricos oportunistas que até pagam propina para conseguirem a legalização, podem acreditar, nesse país se legalizar o UBER é mais uma prova de que não existe constiuição, não existe respeito ao ser humano, muito menos com o trabalhador.
    Pergunta para o cantor que pega um UBER se ele aprova a pirataria de DVD’s e CD’S.

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